Diocese de Montenegro

Versículo do Dia "Produziram à base de cem frutos por semente" (Mt 13,1-9)

Home > Fique por Dentro > Notícias

Notícias

19.09.2013 A Celebração Dominical da Palavra de Deus

O que entendemos por “Celebração Dominical da Palavra Deus”? Qual a importância da Liturgia para bem prepararmos este momento de oração e comunhão com Deus e os irmãos? Justamente por haver muitas comunidades que se reúnem aos domingos para celebrar sua fé em torno da Palavra do Senhor, a Diocese de Montenegro promove o seu II Seminário de Liturgia, que será realizado no dia 26 de outubro de 2013 e terá como tema “A Celebração Dominical da Palavra Deus”. Será uma oportunidade para vivenciar e conhecer o valor desta celebração. O seminário contará com a assessoria de Veronice Fernandes, Irmã Discípula do Divino Mestre. Com mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção, atualmente é provincial da Congregação no Brasil e membro do Centro de Liturgia e da Equipe de Reflexão da CNBB. Também assessora encontros de formação litúrgica.

 

O objetivo do evento é aprofundar o sentido litúrgico e teológico da Celebração Dominical da Palavra de Deus, analisando os elementos, a estrutura e a dinâmica desta Celebração. Além disso, buscará capacitar os Ministros da Palavra para que, através do conhecimento e da vivência dos ritos, possam ajudar as comunidades a alimentarem sua vida de fé com a Palavra de Deus. O seminário é uma promoção da Pastoral Litúrgica da Diocese de Montenegro e tem a coordenação do Pe. Eduardo Haas. As inscrições estão abertas e podem ser feitas nas secretarias das paróquias da Diocese. As vagas são limitadas.

 

A Assessoria de Comunicação da Diocese de Montenegro realizou uma entrevista com a Ir. Veronice Fernandes, por e-mail, na qual ela adianta alguns aspectos do tema que abordará no II Seminário Diocesano de Liturgia. Confira:  

 

Diocese de Montenegro - Em linhas gerais, qual o sentido teológico-litúrgico da Celebração Dominical da Palavra de Deus?

Ir. Veronice Fernandes - É uma celebração do Dia do Senhor, afinal, domingo é páscoa semanal, quando fazemos memória do mistério pascal, atualizamos o poder da morte e ressurreição do Senhor. Seguindo o ano litúrgico (com as leituras bíblicas, com orações, símbolos e cantos próprios), participamos das graças que nos vem dos mistérios do Senhor celebrados nos vários tempos e festas. Também destaco que Cristo está presente na comunidade reunida, na Palavra proclamada e celebrada. Trata-se de uma assembleia que se reúne, porque é convocada pelo Senhor. Como toda ação litúrgica, a celebração tem seu movimento ascendente (nossa ação de graças, louvor, intercessão, nossa glorificação de Deus) e seu movimento descendente (ação de Deus, santificação do povo da parte de Deus). É importante enfatizar que a celebração é realizada com gestos e ações simbólicas, que expressam e comunicam a graça que nos vem da páscoa de Cristo. Pela oração (Pai-Nosso, salmos, hinos e outros cânticos, aclamações, oração inicial e final, rito penitencial, preces, louvor e ação de graças, silêncio) se expressa e intensifica nossa comunhão com o Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Além disso, participamos no sacerdócio de Jesus Cristo que glorifica o Pai e intercede por todos. A comunidade se mantém viva como povo que invoca o nome do Senhor, como povo da aliança, renova seu compromisso com o Reino e a missão que lhe foi confiada, aguardando confiante a Vinda do Senhor.

 

Diocese de Montenegro - Qual a importância e o sentido do Domingo para a celebração?

Ir. Veronice Fernandes - É o dia maior, o dia em que Cristo foi tirado do sepulcro. Dia em que a vida venceu a morte. Dia da páscoa. Como diz São Jerônimo: “O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. É por isso que ele chama dia do Senhor, pois foi neste dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou-se a luz do mundo, hoje apareceu o sol de justiça, cujos raios trazem a salvação”. (São Jerônimo – 347-419).

 

Diocese de Montenegro - Quais os elementos que compõem a estrutura e a dinâmica da Celebração Dominical da Palavra de Deus?

Ir. Veronice Fernandes - Na celebração da Palavra de Deus, não há um rito definido, porém há certa lógica a ser observada que, no seu conjunto, reflete uma coerência teológico-litúrgica. É a lógica da revelação: o Senhor convida e reúne, o povo atende e se apresenta; o Senhor fala, a assembleia responde professando sua fé, suplicando e rezando, louvando e bendizendo. A comunidade com ritos, gestos e símbolos expressa e renova a Aliança de Deus com o seu povo e deste com Deus. A assembleia é abençoada e enviada em missão na construção de comunidades vivas[1]. Como em toda celebração litúrgica, na Celebração Dominical da Palavra é preciso ainda valorizar os seguintes elementos:

        1º - Reunião em nome do Senhor (Ritos iniciais)

        2º - Proclamação e atualização da Palavra (Ritos da Palavra)

        3º - Louvor ou ação de graças

        4º - Envio e missão (Ritos finais)[2].

Geralmente nas celebrações dominicais da Palavra de Deus, os ritos iniciais, os ritos da Palavra e os ritos finais seguem o mesmo roteiro da celebração eucarística. Pode também ser utilizado o roteiro da Liturgia das Horas ou do Ofício Divino das Comunidades. O rito de louvor ou ação de graças nunca deve faltar, pois o domingo é o dia primordial para o louvor e a ação de graças. Este rito pode ser realizado de maneiras diferentes.

 

Diocese de Montenegro - Qual a principal contribuição da Constituição Sacrosanctum Concilium para a concepção atual de Celebração da Palavra em nossa Igreja? Que novidades ela trouxe e em que sentido ela inclui a todos os fiéis na celebração?

Ir. Veronice Fernandes - “Promova-se a celebração da Palavra de Deus nas vigílias das festas solenes, em alguns dias feriais do advento e da quaresma e nos domingos e dias de festa, especialmente onde não houver padre; neste caso será um diácono, ou outra pessoa delegada pelo bispo a dirigir a celebração” (SC 35,4). Com este pronunciamento a constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, promulgada no dia 4 de dezembro de 1963, põe o selo oficial, no que diz respeito à prática das celebrações ao redor da Palavra de Deus. O documento conciliar, além de assumir tais celebrações, ainda incentiva-as. O Concílio não legislou sobre a realização da celebração da Palavra. Limitou-se a dizer que o dirigente seja um diácono ou um leigo delegado pelo Bispo. É claro que, com o passar dos anos, outros documentos da Igreja se pronunciaram a respeito da Celebração Dominical da Palavra de Deus. Há um reconhecimento de que são uma oportunidade para a Igreja, pois elas garantem e salvaguardam grandes valores do Dia do Senhor, tais como: a reunião da assembleia, a oração em comunidade, a celebração do mistério pascal, a escuta da Palavra de Deus no ritmo do ano litúrgico, a participação na comunhão do corpo do Senhor, a valorização dos ministérios leigos.

 

Diocese de Montenegro - De modo didático, a senhora pode explicar em que sentido a Liturgia pode ser “a fonte e o cume” para os cristãos/católicos?

Ir. Veronice Fernandes - A Sacrosanctum Concilium define a liturgia como celebração e atualização do Mistério da Salvação. Diz ainda que a liturgia é cume e fonte da vida da Igreja, pois na liturgia experimentamos o mistério da salvação, não só fazemos memória, mas o Mistério se faz presente. Celebrar é tornar célebre o acontecimento, torná-lo inesquecível. Pe. Jerônimo Pereira da Silva, afirma em seu artigo publicado na Revista de Liturgia, de março/abril de 2013: “No artigo 9 da SC se declara que ‘A sagrada liturgia não esgota toda a ação da Igreja’, porque evidentemente também fora da liturgia existem muitas coisas indispensáveis que a Igreja deve fazer; entre as quais a pregação e todo o gênero de apostolado e de pastoral, sem falar da oração e da ascese privada. A Constituição prossegue, pois, no número 10: ‘Contudo, a Liturgia é simultaneamente o cimo para a qual se dirige a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde emana toda a sua força’. Esta afirmação vem explicada da seguinte forma: Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor. A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos ‘mistérios pascais’, a viverem ‘em união perfeita’; e pede ‘que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé’. A renovação, na Eucaristia, da aliança do Senhor com os homens, solicita e estimula os fiéis para a imperiosa caridade de Cristo. Da Liturgia, portanto, e particularmente da Eucaristia, como de uma fonte, corre sobre nós a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja. E o autor continua: “...Mas dizer que a liturgia não absorve ou reduz a si toda a vida da Igreja não impede absolutamente de afirmar, ao mesmo tempo, o seu lugar de ápice para onde se direciona tudo e, sob outro aspecto, de fonte da qual tudo deriva. Por quê? Em poucas palavras: porque o mistério eucarístico, sacrifício e sacramento - ou melhor: sacrifício sacramental - é o ápice para onde se direciona e é intimamente atraída toda a vida da Igreja, tanto litúrgica como extra litúrgica e é, ao mesmo tempo, fonte de todas as graças. Poderia se pensar que tal ‘definição’ da liturgia seria aplicável somente à celebração eucarística, mas o Concílio sublinha que a expressão ‘cume e fonte’ é aplicável à liturgia como um todo e à Eucaristia de modo particular”.

 

"Celebrar é tornar célebre o acontecimento, torná-lo inesquecível"

 

Diocese de Montenegro - Em que sentido podemos identificar na Celebração Dominical da Palavra de Deus a tríplice dimensão da Liturgia católica (teológica, eclesial e pastoral)?

Ir. Veronice Fernandes - A celebração dominical da Palavra é uma celebração litúrgica. A teologia litúrgica desenvolvida pelo Concílio na Sacrosanctum Concilium, nos artigos 5 a 8, aplica-se também a este tipo de celebração, como já afirmamos acima. É uma celebração da Igreja. Quando a comunidade está reunida para celebrar o Dia do Senhor, ao redor da Palavra, a Igreja está presente. A Igreja escuta a Palavra, reza, celebra, faz ações simbólicas e com certeza dialoga com o Senhor. A assembleia glorifica o Senhor e é santificada por Ele. Este encontro produz frutos para a vida concreta.

 

Diocese de Montenegro - Em que medida a celebração da Palavra pode ser considerada ministerial e, ao mesmo tempo, comunitária?

Ir. Veronice Fernandes - Deus chama, convoca e reúne. A comunidade de fé responde à convocação de Deus e se reúne em assembleia com os seus diversos ministérios.

 

Por Graziela Wolfart, assessora de Comunicação da Diocese de Montenegro.

 



[1] Cf. CNBB, Orientações para a celebração da Palavra de Deus (Documento 52), n. 52. (Nota da entrevistada)

[2] Cf. CNBB. Orientações para a celebração da Palavra de Deus (Documento 52), n. 54. Para estes ritos ver os números 57 a 94 do Documento 52. (Nota da entrevistada)

 


Diocese Montenegro 2012 - Todos os direitos reservados